sexta-feira, 20 de novembro de 2009

imprensa

Ainda em ritmo de feira-do-livro, dei minha opinião em matéria sobre novos autores no Correio do Povo (saiu na edição de Domingo)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

em tempo

A Feira do Livro está quase no fim (termina nesse domingo), mas ainda dá tempo de:

- Votar no Fato Literário (meu voto foi para Biblioteca Ilê Ará)
- Procurar pelas caixas de saldo a Orgia Perpétua, o Robert Arlt e o Malamud (média de 5 reais)
- Aproveitar o saldo dos volumes 2 e 3 da Obra Crítica, do Cortázar (na Banca da Santucci)

Do outro lado da feira:


Lançamento da Antologia de Contos DESACORDO ORTOGRÁFICO, sexta-feira, 13 de novembro, a partir das 19h, no Complexo Master (praça Garibaldi, 46). O livro é organizado pelo Reginaldo Pujol Filho e editado pela Não-Editora.
Cliquem aqui e visitem o blog.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Janelas

I

reflexo extrudido

no coletivo

passageira de mim mesma


II

Jaz o dia

o céu de gris

cimenta a cidade


III

voo e vejo

nuvens que se

afogam no mar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

dia de feira

A Feira do Livro de Porto Alegre (número cinquenta e alguma coisa) começou sexta passada. É sempre empolgante, os jacarandás sempre ficam mais coloridos, cada ano ela é a maior feira de livros a céu aberto da América Latina, cada ano eu descumpro a promessa de não comprar mais do que os livros da lista-de-livros-para-comprar-na-feira, e tals.

Esse ano não estou tão emocionada e tudo mais. Não sei porque. Pode ser que, mas pode ser também que não, apenas uma tristeza muito minha e muito particular dessas que só champanhe e talvez cerveja de qualidade resolva, mas a verdade é que andando lá no meio da praça cada e dos stands cada vez mais arrumadinhos e limpinhos e tudo mais, dói ver que a Feira do Livro se transforma ano a ano em uma Feira totalmente mercadológica. O que eu quero dizer, é uma feira voltada ao mercado e não é uma feira voltado ao Leitor.

Mas, vocês poderão argumentar, o Leitor não é quem faz o mercado? Não, meus amigos. Nem sempre é. Talvez o leitor seja aquele que faça o mercado, mas o Leitor não. Pois se o Leitor fosse responsável por fazer o mercado eu não teria levado tantos "nãos" em tão pouco tempo que percorri meia dúzia de bancas atrás de livros nem tão difíceis de se encontrar. Aliás, livros que tem nas livrarias, mas que elas não levam para Feira, pois sabe como é, né: não vende. Uma delas chegou a me dizer: o que tem é o que tá ai na frente, senão tem que pedir que a gente manda buscar na loja. E "o que tinha ali na frente"? Vampiros, espíritos, bruxos, conselheiros para uma vida melhor, mais fácil, mais prática, ou seja, tinha tudo aquilo que gira o mercado, e que o amado leitor adora. Mas que o Leitor não quer.

Enquanto isso, nos bastidores, continuam os papos com os autores, as palestras e as sessões de autógrafos. São autografados livros que você não encontra em lugar nenhum para vender, são discutidas obras que nenhum vendedor conhece, e olha só que legal, já que é o ano da França no Brasil, você vai ouvir o que tem para dizer os pensadores franceses que estão em voga. Mas leva bastante papel e caneta, porque não adianta querer ler o que eles escreveram, porque se você ousar pedir por algum dos autores nas bancas, é capaz de um dos vendedores pensar que você está espirrando e olhar com cara feia, afinal, a gripe A ainda assusta.

De manuscrito rato um

Aconteceu o de que gente nenhum vai nos mundo acreditar. Mais quanto do mundo da terra de cima. Baixo da terra vivemos de nós. Quietos vivíamos embaixo aqui. Dá perceber ratos somos? Que até nos levar inventaram de para cima, fazer ração em gaiola e nos alimentar casa com antibióticos, milhares de jogos, penicilinas, e picadas de labirinto. O dia que até um óculos de doutor barbicha errou ou alguém ficou na dose espichada, vai aquele pequeno saber de labirinto e o quem. Gaiolas foram as depois que diminuíram. Em coisas apareceram essas frente nossa. Tarde descobriu um ratos dos mais, letras chamam os homens. Eram parte por toda letras. Mesas em cima das perguntas, respostas dos balcões, paredes escritas pelos quadros das. Todas palavras as aprendemos. Sentimos roer mais vontade de não roer ração e de olhos roer os livros com vontade pequenas mas sentimos das prateleiras os pequenos de óculos, ah, o doutor de? Muito não tinha gosto. O peludo pior era muito de barbicha. Agora estamos cada sala menor, aqui nessa vez. Até tudo roendo o ar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

diário

o blog deixou o caráter diário a muito tempo. hoje é um suporte, só um suporte, de publicação na internet - e sem custo.

mas tem projetos que, entre várias coisas, resgatam esse caráter primeiro do blog: apontamentos da via, o umbiguismo, a visão pessoal do cotidiano.

Van Gogh e Darwin.

muito massa.

Cidades possíveis

ilustração de Ferdinand-Philippe d’Orléans para As Viagens de Guliver, de Jonathan Swift.

Estou lendo, enquanto leio outras coisas, A volta ao dia em 80 mundos, do J.C*. E lá pela página noventa e algo, tem algumas anotações sobre uma viagem que ele fez a Cabo Súnio. Uma viagem presencial, que aconteceu alguns anos depois da viagem imagética. Explico: Julio ouviu de um amigo descrições indescritíveis sobre Cabo Súnio, desse tipo de coisa que faz com que a gente forme uma imagem, um lugar que fechando os olhos e apurando o olfato, podemos até saber como suam os nativos, mesmo nunca conhecendo um nativo de tal região. Tempo passou, e o Julio fez de fato a tal viagem. Acontece que Cabo-real era muito aquém de sua Cabo-verdadeira. Explico de novo: para ele, a verdadeira passou a ser a primeira, aquela que lhe foi narrada pelo amigo. Pois não eram muito mais reais, e muito melhores, os sabores, as cores, as luzes, que viu em sua imaginação? Desde então, depois da volta, sempre que lembrava de viagem, e pensa em Cabo Súnio, não recordava do que viu-vendo, mas do que viu-sonhando.
Então me dou conta, após esse texto, que mais uma vez J.C tem razão, e que as cidades que imagino são as únicas cidades possíveis, e que todas as outras, com suas ruas com nomes de datas e pessoas encontráveis nas enciclopédias, com suas rodovias registradas nos mapas, serão sempre cidades que nunca chegarei a conhecer.
Pode ser que tudo isso aconteça, pois a memória é algo tão perigoso quanto uma cópia feita em um fax. Ela esta fadada a desaparecer desde o momento em que nasceu. No início, a tinta ainda ficará nos seus dedos, pois a memória nova é ainda uma memória manipulável. Mas, não irá demorar nada e você terá que lavar as mãos, além disso, essa memória-papel perderá a importância, já que outra memória-papel tomará o seu lugar e, então, se algum dia você tornar a encontrá-la em alguma gaveta, será apenas uma leve impressão do que um dia foi.
Isso é o que acontece com as cidades que conhecemos. A cidade que pisamos com os solados confortáveis de nossos calçados para turistas. Cada uma jaz tão fundo fundo quanto Atlântida (mas esse não é um bom exemplo, já que Atlântida não é tão desconhecida e com um pouco de esforço consigo ver o seu perfil, o negro de seu perfil contra a luz que vem do alto, mesmo quando volto à superfície – e sempre volto a superfície).
Resta confiar nos livros, e em todos os países que se tornam possíveis através deles. Já que eles parecem muito mais sólidos, e portanto menos perigosos, do que essa realidade que cada dia mais parece como um gigante pote de gelatina, ou feita do mesmo material do manantial simoneano. E porque confio, os livros, neles mergulho, travando o diálogo que me constrói, que faz com que eu reconheça a mim mesma, e também faz com que duvide se eu e se as ruas datadas nas enciclopédias de fato estão por aqui.

*JC, por supuesto, trata-se do Julio Cortázar, e não do outro J.C que também consta nas enciclopédias.

Joystick

Gosto como me tocas.
Dedos firmes a apertar e contornar minhas pequenas curvas. Gosto de tuas mãos hábeis, sincrônicas.
Gosto como procuras o concavo e o convexo. A gema dos teus dedos conhecem cada uma de minhas marcas, e com tuas unhas, por vezes, deixas em mim as marcas tuas.
Gosto-te impaciente, a puxar-me, sacudir-me. Sinto teus polegares a dançar, teus indicadores se alternando, a buscar na resposta minha melhor performance.
Simbióticos, somente juntos poderemos vencer.
Gosto de sentir teus dedos trêmulos, em cãibras, quando teu desejo e vício são maiores que tua força.
E não por sadismo, mas regozijo-me quando imploras, muitas vezes em voz alta, minha ajuda.
Implora, que eu sozinho seja aquilo que somente através de tuas mãos posso ser.
O controle perfeito.
Botões com respostas automáticas, usabilidade campeã entre todos os outros.
E assim, para o meu prazer, sempre que me conectas, confias em minhas direcionais tuas infinitas vidas.
Pois tens consciência de que, ao meu lado, no final da batalha poderás sorrir, exausto e triunfante, ao ler na tela
YOU WIN.
GAME OVER.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

haicais

I
prendedores soltam
do varal. vestido veste
de moça a manhã.

II

espero como os condenados à morte
esperam, acordados
sem nada novo à esperar

Gostou muito

Saiu um conto meu, inédito, no blog Gostei Muito (um projeto do Charles Kiefer).
Pra conferir o conto, clica aqui em cima.
Se diferente do CK, vocês não gostarem muito do meu texto, vou ter muito mais insônia essa noite, mas viverei com isso.
De qualquer forma, tem também um conto do Amílcar Bettega, autor convidado. Então visitem.

Entrem no blog e divulguem a idéia: www.gosteimuito.blogspot.com